AnaMary Bilbao, artista luso-espanhola, nasceu em Sintra (Portugal) em 1986.


Em 2019 foi nomeada para o Prémio Novos Artistas Fundação EDP (13ª Ed.). Entre Outubro de 2015 e Outubro de 2019 recebeu uma bolsa mista da FCT, que lhe permitiu fazer investigação de campo em Joanesburgo (África do Sul), em 2018, e frequentar o departamento de Film, Media and Cultural Studies em Birkbeck - Universidade de Londres (Reino Unido) durante um ano (2018-2019). Em 2018 recebeu o Prémio de Artes Visuais D. Fernando II pela Câmara Municipal de Sintra. Em 2014 foi distinguida como "Jovem Artista" na categoria de Artes visuais pelo CPAI – Clube Português de Artes e Ideias.


Bilbao começou a trabalhar principalmente através do desenho e com particular interesse na repetição dos mesmos procedimentos plásticos. Encarando a memória como «subjectiva e dinâmica», os seus trabalhos iniciais procuram «um equivalente visual do rácio entre recordação e esquecimento», tal como «concorrem para um entendimento da memória enquanto território de reinvenção do que foi, (…) dilui[ndo-se] aquilo que há de ilusório numa profilaxia do esquecimento.» (Ana Cachola, 2013) A partir de 2016, as suas obras começam a resultar também da intervenção directa em negativos e fotografias que encontra em mercados de rua. Actuando sobre estas superfícies, as imagens finais «respondem à paradoxal condição de inscrições de apagamento», elas são «um gesto duplo de apagamento e de criação: quanto mais desaparece o biografema, menos se tolhe a imaginação daquele que vê; quanto menos se satisfaz a sua irreprimível pulsão escópica, mais se estimula o seu enamoramento com a mecânica da sugestão.» E como continua a escrever Bruno Marchand sobre estas obras, «no espaço em ruínas da imagem desfigurada, o espectador já não encontra relatos, nem conforto, nem memória – apenas espelhos e fantasmas no lugar perfeito de toda a projecção.» (Bruno Marchand, 2018) 


Actualmente, AnaMary Bilbao articula nas suas obras diferentes tipos de suportes, não só o desenho ou a fotografia, mas também imagem em movimento (película de 16mm e vídeo) e som. O que as faz distanciarem-se «do registo de um arquivo documental é uma dupla via de interpretação do tempo e do espaço, entre a paisagem reconhecível e a paisagem abstracta», num culminar de «um cosmos que se reinventa numa ars combinatoria, como um intervalo sobre a inexorabilidade do tempo que nos é constitutiva (…) [e na] consciência da finitude que não fica refém do fragmento ou da totalidade enquanto representações, mas da sua ultrapassagem.» (João Silvério, 2019) Como a artista afirma, nas suas obras «a perda contida nas fissuras e rasuras é como um intervalo no tempo, é a oportunidade que permite o espaço para a dúvida, o espaço livre de onde tudo pode despontar, porque não há verdade de antemão, só conexões, interrupções e incompletudes e é precisamente por isso que uma obra nunca se encerra em si mesma». (A.M.B., 2019)


Vive e trabalha em Lisboa.


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